27
mai
2016

O estupro e a invisibilidade da violência

Lemos todos, estarrecidos, sobre o estupro coletivo sofrido por uma adolescente no Rio de Janeiro nesta semana.

Infelizmente, grande parte dos casos de violência não é denunciado e sequer chega ao sistema. E ela continua sorrateira, por debaixo do tapete, sem que seja vista pela sociedade.

Porque a violência sexual, para muitos, é culpa da vítima, e depende da roupa que ela usa, do comportamento que “estimula” o agressor, do lugar onde ela estava. Para outros, é algo um tanto quanto normal, algo que passa despercebido, porque a mulher, independente da situação, deve estar sempre sexualmente disponível para o companheiro. Porque a adolescente, se estava na beira da estrada em situação de prostituição é, seguramente, porque escolheu estar ali. Porque sair à noite para se divertir subverte a “ordem” das coisas, e meninas e mulheres “direitas” não deveriam estar em bailes funks, baladas, bares. Não sozinhas. Não desacompanhadas de um homem.

São muitas as razões pelas quais aceitamos.

São muitas as razões pelas quais não denunciamos.

Mas a razão do silêncio, em geral, encontra-se na cultura da violência, da objetificação da mulher.

Se ao invés de olhar com desconfiança e descaso para a vítima, não nos perguntarmos o que é que estimula um comportamento agressivo como este, algo em nós deve ser profundamente questionado. Se aceitamos o “revenge porn” – ou pornografia da vingança – que acomete principalmente a adolescentes e mulheres, algo está muito equivocado. Se não nos indignamos com o fato de que um vídeo de estupro seja compartilhado em redes sociais em troca de “likes” e visualizações, algo está extremamente fora de seu lugar.

A vítima do estupro coletivo do Rio de Janeiro tem 16 anos.

A violência sexual contra crianças e adolescentes é, infelizmente, cotidiana. Segundo o disque denúncia – em 2015 – foram, pelos menos, duas denúncias por hora. E é bom lembrar que estamos falando de denúncias. Os casos reais devem ultrapassar, e muito, tais estatísticas. Além de todas as consequências conhecidas – gravidez indesejada, possibilidade de contração de doenças sexualmente transmissíveis, o trauma psicológico, etc. – essas adolescentes têm de enfrentar isso durante um importante período de desenvolvimento de suas vidas. Interromper, ou violentar este processo, pode comprometer seu desenvolvimento emocional e social, em um momento chave para uma vida adulta plena e saudável.

Deixar de culpabilizar a vítima é o primeiro passo para tirar a violência sexual do manto da ignorância. Olhar para o problema, de forma objetiva, pressupõe o esforço de todos, de uma cultura de respeito, de igualdade. Porque não importa se são 1, 3 ou 30 homens. O que importa é que qualquer tipo de violência contra a mulher não seja mais admitido.

Rodrigo Santini

Diretor Executivo

Childhood Brasil

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25
mai
2016

Livro debate novo método pra ouvir crianças e adolescentes vitimas ou testemunhas de violência sexual no Brasil

LIVRO_LANCADO_BLOGLançado no Dia Nacional do Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes (18), em Porto Alegre, o livro Depoimento Especial, organizado por Luciane Potter e Marceli Hoffmeister aborda com multidisciplinaridade a importância da técnica no país. Através da visão de operadores do direito, psicólogos, assistentes sociais, cientistas sociais, entre outros, a obra busca oferecer uma linguagem acessível que dialogue com todos, para ampliar o trabalho no campo da prevenção e do enfrentamento da violência sexual de meninos e meninas.

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21
mai
2016

Abuso Sexual de crianças e adolescentes é tema de Debate na TV Cultura

DEBATE_JORNAL_DA_CULTURA_BLOGTema encarado ainda como um tabu pela sociedade, o abuso sexual de crianças e adolescentes foi a pauta do JC Debate, programa da TV Cultura, quarta-feira (18), no Dia Nacional do Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual. Ao lado da ginecologista e obstetra Albertina Duarte, o diretor executivo da Childhood Brasil, Rodrigo Santini, falou sobre a situação das crianças e adolescentes do país.  Continue lendo

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21
mai
2016

Seminário Nacional debate os direitos sexuais da criança e adolescentes no contexto das novas tecnologias

CHILDHOOD_SEMINARIO_BLOGNo Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, 18 de maio, o Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual de Crianças e Adolescentes (CNEVSCA) realizou em Brasília o Seminário Nacional com o tema “A Promoção e Proteção dos Direitos Sexuais de Crianças e Adolescentes, no contexto das Novas Tecnologias de Comunicação e Informação e os desafios para o Enfrentamento da Violência Sexual, na perspectiva dos Direitos Humanos”. O evento foi o resultado da parceria da organização com a Secretária de Direitos Humanos (SDH), a Unicef e a Childhood Brasil.

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20
mai
2016

Pesquisa busca entender os impactos de megaeventos no Brasil

comite_gestao_participativa_BLOGA Childhood Brasil, com apoio financeiro da Fundação OAK, está realizando um levantamento sobre a violação de direitos de criança e adolescentes em megaeventos no país, como a Copa do Mundo de 2014.

Com a hipótese de que estas festividades contribuem com o aumento de violações, especialmente no que se refere à exploração sexual, o estudo tem como objetivo analisar a série histórica de registros de violações de direitos de crianças e adolescentes em três cidades brasileiras, entre janeiro de 2012 e dezembro de 2014, para identificar possíveis influências de grandes eventos, especialmente, a Copa do Mundo de 2014.

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12
mai
2016

Programa Na Mão Certa realiza o primeiro encontro do ano do Comitê de Gestão Participativa no SEST SENAT

comite_gestao_participativa_BLOGNo dia 05 de maio aconteceu o primeiro encontro de empresas participantes do Programa Na Mão Certa, iniciativa da Childhood Brasil, como Comitê de Gestão Participativa (CGP) no Sest Senat, unidade da Vila Jaguara em São Paulo. O CGP acontece duas vezes por ano e tem como objetivo promover momentos consultivos e participativos nos quais os pontos focais e multiplicadores das empresas que atuam no Programa tem possibilidade de interagir com a Gerência de Programas e Parceiros.

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