31
jan
2011

Jovens pernambucanos convencem adolescentes e homens da comunidade a combater a violência contra meninas e mulheres

Recife, capital de Pernambuco, é hoje uma das localidades do país com altos índices de violência doméstica e sexual contra mulheres e meninas. As agressões psicológicas e sexuais começam muitas vezes na infância e na adolescência, e os autores da violência geralmente são pessoas muito próximas, como namorado, vizinho ou familiar.

Esta realidade pode estar mudando com a transformação e engajamento de jovens como Márcio Pereira de Albuquerque, de 27 anos. Morador da cidade de Paulista, região metropolitana de Recife, Márcio conheceu o tráfico de drogas aos 14 anos e era também um jovem bastante agressivo, violento principalmente contra meninas e homossexuais. Até que, aos 23 anos, Márcio começou a namorar uma adolescente militante do movimento de mulheres da região, que o incentivou a fazer parte de uma ONG feminista, onde começou a refletir mais sobre seus atos. Daí em diante, passou a fazer novas amizades, participar de fóruns e conhecer outros jovens envolvidos com causas sociais. “Participar do Projeto contra Violência de Gênero do Instituto Papai ajudou a me reeducar e melhorou o convívio com a minha família e com as pessoas ao meu redor”.

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28
jan
2011

Instituto Papai mobiliza homens jovens para trabalhar com a prevenção da violência sexual doméstica em Recife

Fundado em janeiro de 1997, em Recife, quando ainda pouco se discutia sobre a paternidade do adolescente no Brasil, o Instituto Papai foi uma das primeiras organizações na América Latina a trabalhar com projetos e pesquisas sobre este assunto. A principal iniciativa foi o Programa de Apoio ao Pai Adolescente e Jovem, propondo uma reflexão sobre a invisibilidade da experiência masculina no contexto da vida reprodutiva e no cuidado infantil.

Hoje, muitos estudos provam que o maior envolvimento dos homens no cuidado dos bebês e na vida em família em geral pode contribuir para trazer melhores condições de vida às mulheres, às crianças e aos próprios homens, e prevenir a violência doméstica. “A ONG propõe uma leitura crítica sobre os processos culturais construídos a partir da desigualdade de gênero para uma transformação mais prática e profunda da participação masculina na vida familiar”, diz Ricardo Castro, coordenador executivo dos projetos na temática violência de gênero do Instituto Papai.

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26
jan
2011

Depoimento acolhedor: salas especiais oferecem investigação judicial mais digna para crianças e adolescentes vítimas de violência.

S. M. Rainha Silvia da Suécia visita a Sala de Depoimento Especial em Recife (março/2010)

No modelo judiciário tradicional, crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de crimes sexuais são obrigadas, durante a investigação, a contar repetidas vezes como ocorreu a agressão. O processo é doloroso, porque as leva a reviver o trauma, em média oito vezes, para relatar o mesmo caso a diferentes profissionais, muitas vezes na frente dos agressores. Para amenizar esse sofrimento e oferecer condições mais dignas às vítimas, começam a ser implantadas no País salas adaptadas para o chamado “depoimento especial”, “depoimento acolhedor” ou “depoimento sem medo”.

Em Pernambuco, a primeira sala especial começou a funcionar em fevereiro deste ano, na Central de Depoimento Especial do Centro Integrado da Criança e do Adolescente (CICA), localizado em Recife, por meio de uma parceria do Tribunal de Justiça do Estado com a Childhood Brasil, para a realização das audiências de inquirição de crianças e adolescentes que sofreram ou testemunharam violência sexual. Continue lendo

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24
jan
2011

Juiz da Infância e Juventude de Pernambuco diz que depoimento de crianças em sala especial ajuda a acabar com a impunidade

Sala de Depimento Especial em Recife/PE

Com apoio da Childhood Brasil, foi implantada em Recife, em fevereiro de 2010, a primeira sala especial para coleta de depoimento de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência de Pernambuco. Visitada por S. M. Rainha Silvia da Suécia no mês seguinte, a sala evita a exposição em excesso de crianças e adolescentes durante a audiência e a entrevista investigativa, e tem colaborado para diminuir a impunidade.

O primeiro caso de solicitação policial por este tipo de tomada de depoimento resultou na prisão dos mandantes e executores de um homicídio da mãe da criança, segundo o juiz e psicólogo Elio Braz Mendes, da 2ª Vara da Infância e Juventude do Estado. Continue lendo

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21
jan
2011

Acadêmico e ativista social afirma que governo precisa dar mais ênfase à prevenção da violência sexual infantojuvenil

Ver meninos dormindo nas ruas sempre causou indignação em Benedito Rodrigues dos Santos. Desde muito jovem, ele sabia que precisava fazer alguma coisa para mudar aquela situação. Começou morando na favela para desenvolver projetos com a comunidade e não parou mais de trabalhar e estudar as políticas públicas e os direitos de crianças e adolescentes. Hoje, divide a carreira entre o mundo acadêmico e de ativista. Atua como consultor do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da Childhood Brasil e professor da Universidade Católica. Foi também assessor da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Secretário Executivo do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente e um dos fundadores do Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua.  Na avaliação do especialista, o governo precisa investir mais em políticas de prevenção à violência sexual contra crianças e adolescentes.

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19
jan
2011

Depoimento sem medo: livro dá voz à criança vítima de abuso sexual

“Por favor, me deixa. Não me pergunta mais nada sobre isso. Eu queria esquecer”. Este relato de uma menina de 8 anos, registrado em um dos processos da Delegacia de Proteção da Criança e do Adolescente de Goiânia, retrata a dor de crianças vítimas de abuso sexual, submetidas a interrogatório e abre o livro Depoimento Sem Medo (?) – culturas e práticas não-revitimizantes: uma cartografia das experiências de tomada de depoimento especial de crianças e adolescentes, uma realização da Childhood Brasil. Escrita por Benedito Rodrigues dos Santos e Itamar Batista Gonçalves, a obra propõe experiências alternativas na tomada de depoimentos de crianças e adolescentes, vítimas ou testemunhas de violência sexual, e também reafirma o direito de que suas vozes sejam respeitadas e valorizadas como prova testemunhal.

O principal objetivo é evitar a revitimização de meninas e meninos, que ainda ocorre com frequência nas tomadas de depoimentos convencionais nas delegacias. O livro é resultado da análise de relatos feita pela equipe de pesquisa do projeto “Invertendo a rota: ações de enfrentamento da exploração sexual infantojuvenil em Goiás”, coordenado pelo professor Benedito Rodrigues dos Santos, e também do projeto “Culturas e práticas não-revitimizantes: reflexão e socialização de metodologias alternativas para inquirir crianças e adolescentes em processos judi­ciais”, realizado pela Childhood Brasil e a Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e da Juventude (ABMP). A iniciativa também contou com o apoio da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) e do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).

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